Um dia no Marrocos | Casablanca

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Olá, tudo bom? (espanando a poeira desse lugar)

Em setembro eu tirei férias e um monte de fotos – achei que seria um momento propício pra voltar com o blog também! Beleza que já estamos em outubro, mas mesmo assim…

Pois bem, começando do começo (e só parando quando chegar ao final, como diria o Cheshire): Casablanca, Marrocos!

Seguinte, eu tinha um casamento em Portugal e programada que sou – porém não – deixei para comprar as passagens em cima da hora. Encontrei uma da Royal Air Maroc, a mais barata possível considerando que faltavam 2 meses para a data, e comprei. Nunca fui de ligar para “qual a companhia área”, porque durmo no momento que entro no avião mesmo… mas, esqueci de um detalhezinho: escala.

 

 

Conexão em Casablanca, Marrocos

 

Tá, na hora em que comprei a passagem até vi que rolava uma escala em Casablanca – mas não dei muita atenção, afinal sempre paro em lugares aleatórios quando compro passagem mais barata; porém, uma semana antes da viagem vi que não era uma escala normal, eu chegaria em Casablanca às 22h10 e meu vôo para Lisboa era no dia seguinte às 14h10. Pronto, uma noite no aeroporto!

 

Comecei a fuçar o site da companhia e jogar no Google “vôo Lisboa conexão Casablanca” e descobri um monte de coisas: que em escalas com mais de 6h a Royal Air Maroc paga hotel, transfer, alimentação e tudo mais. Pronto, ia fazer um tour no Marrocos! Depois, veio a segunda leva de preocupações (mais dos migos que minha) “não é bom mulher sair sozinha lá”, “tentaram trocar minha tia por um camelo”, “tem um casal de amigas das amigas que sumiu…” – e lá fui eu de novo para o Google, ver relatos de meninas no Marrocos. Uns realmente não eram tão legais, mas a grande maioria era positiva e eu resolvi que ia aproveitar a chance de dar unlock no continente Africano na lista de lugares onde já estive!

 

Conexão em Casablanca, Marrocos

 

 

No avião encontrei 4 brasileiros que iriam fazer a mesma conexão que eu – o que ajudou bastante! Nós chegamos no Aeroporto Mohamed V, entramos na fila do “em trânsito”, passamos na imigração só com a mala de mão (fica aí a dica pra sempre levar aquela bruzynha extra) e depois da imigração (na parte aberta do aeroporto, fora dos portões de embarque) é que ficava a sede da agencia de viagem que cuidava da nossa logística – seria quase impossível descobrir isso se não tivesse uma pessoa no nosso grupo que já havia feito esse rolê, a galera lá não fala inglês muito bem e a maioria das placas está em árabe. Passados os portões, dividiram a gente em transfers para o hotel 1, 2 ou 3 e foi tudo bem rápido (e com muita mímica) – o hotel em que eu fiquei era bem bonitinho – quarto individual relativamente grande, banheira, ar, na TV não haviam canais em inglês – mas tinha um canal Bollywood que eu AMEI ficar assistindo! Não tenho vídeozinho pra mostrar o quarto, até fiz um tour no Instastories mas esqueci completamente de salvar! Tá, continuando… nesse rolê dos hotéis separaram o nosso grupo e no meu hotel (que fica pertinho da medina e de uma das praças principais) ficamos eu e mais uma brasileira (a Pri).

 

Nosso transfer iria nos levar de volta ao aeroporto às 12h30 do dia seguinte – então a gente combinou de acordar cedo e dar um rolê pela região! Tomamos café no hotel – um misto de comidas “normais” e típicas – tipo Chai! E na hora de sair… deu medinho!

 

Conexão em Casablanca, Marrocos

 

 

Encanamos um pouco em turistar sozinhas e acabamos ligando para o Franz (um alemão que a gente conheceu no transfer para o hotel) – ele foi pro rolê com a gente! Como estávamos sem internet (não valia a pena comprar o chip local por um dia) e com pouco tempo, decidimos não sair tanto da região. Mas já antecipo que: o medo foi a toa! Casablanca é uma cidade bem moderna, você vê mulheres dirigindo, andando sozinhas, algumas com véu e outras sem, um monte de outdoors e anúncios de Mc Donalds, KFC, Coca, enfim, basicamente uma cidade grande de qualquer lugar do mundo. Tá, não “tão igual”, afinal parece Agrábah (do Aladim) em algumas partes, tem lojas de burcas, um monte de gente andando de camisolão na rua, uma arquitetura bem antiga e palmeiras e fotos do príncipe em qualquer lugar que você olhe!

 

Nosso passeio principal foi na Antiga Medina, que é o tradicional centro, um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade:

 

 

Conexão em Casablanca, Marrocos

 

Dentro da Medina (é um mercado aberto gigantesco, cercado por muralhas) foi onde eu mais “lembrei” das coisas que tinha lido sobre o Marrocos. Bom, não especificamente sobre o Marrocos, mas sobre os costumes das religiões Afegãs, (eu gostava muito do livro O Livreiro de Cabul e por causa dele desencadeei uma série de outras leituras, O Caçador de Pipas, A Cidade do Sol (quase desidratei chorando), enfim, gosto muito de leituras relacionadas à essa cultura mas a gente pode falar disso em outro post) – tipo, vi algumas mulheres andando de burca passos atrás dos homens, vi víuvas – que eu sabia que eram viuvas pois eram mulheres mais velhas inteiramente vestidas de preto – pedindo esmola nas esquinas (igualzinho nos livros), apenas comerciantes homens do lado de fora das lojas… fiquei com uma sensação absurda de “meu deus, isso é real não quero nem pensar no resto dos relatos que li” – não sei explicar bem, claro que eu sabia que era real. Mas o incomodo de ler e o incomodo de ver aquela realidade BATENDO NA SUA CARA é bem diferente, mais tarde no aeroporto eu ainda ia dar de cara com homens e suas duas ou três esposas, com um cara de bermuda e camiseta e a esposa toda coberta com exceção dos olhos (inclusive usando luvas) cuidando das crianças em um calor absurdo de quase 40C – obviamente que não tenho propriedade nenhuma (e nem quero) entrar no mérito das mulheres que usam o véu por escolha, nem nada disso. É só que, sei lá, acho que levei um tempo pra absorver uma realidade tão absurdamente diferente da minha.

 

Conexão em Casablanca, Marrocos

 

Ah sim: depois da Medina, o Franz precisava pegar o trem e eu e a Pri fizemos todo o caminho de volta sozinhas! Atravessamos praça, avenida, ruazinhas e foi mega de boa – exceto por um tiozinho de camisolão (que estranhamente falava um pouco de português) e queria que fossemos tirar fotos em uma “exposição de arte” que ficava em uma região que ele apontava… MAS AQUI NÃO, NÉ QUERIDO? Nóis é brasileira e já assistiu Salve Jorge! Desconversamos e seguimos o tour! Chegamos no hotel, entramos no transfer e ainda deu tempo de comprar umas coisinhas típicas, tipo Óleo de Argan 100% puro!

No final das contas: esse post inteiro foi para contar que a experiência da conexão foi mega de boa, a Royal Air Maroc é meio atrapalhada mas confiável (não perdeu mala nem atrasou) e eu fiquei bem afim de voltar com mais tempo, afinal não é em qualquer lugar que a gente encontra camelos de pelúcia!

 

Conexão em Casablanca, Marrocos

 

Epílogo: O aeroporto de Casablanca é internacional e você encontra pessoas bem diferentonas! Por exemplo, tem uma mesquita de oração dentro dele, mas a galera estende os lenços e reza em qualquer lugar – também tem uma turma, não sei de quais países – que lava os pés na pia do banheiro (na primeira vez que vi, saí do banheiro achando estranho, aí comecei a ver um monte de gente com os pés molhados saindo do masculino também, depois do outro banheiro, aquele barulho de “PLOC PLOC”… tive um ataque de riso e pronto – ah sim, dá pra ver os pés porque a maioria usa camisolão + sandália) – lá dentro também tem algumas lojas de roupas típicas, tudo o que você quiser comprar de produtos de beleza, jóias ou coisas feitas a mão, mas como eu disse, é um aeroporto internacional, também tem uma Longchamp, Duty Free, pizzaria…

Oi! Se você quiser me achar, meu Twiter é @era_1x e meu Instagram @andressasschneider ;)

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